São seis horas da manhã de uma segunda feira chuvosa, e muito preguiçosa por sinal. Uma manhã perfeita para ficar em casa e dormir o dia inteiro, mas nada faria sentido se o meu celular recebesse uma notificação diferente. Uma notificação que fizesse o seu mundo cair, que ultrapassasse os seus limites e os derrubassem.
Sabe aquele medo bobo que não te deixa fazer as coisas, foi essa sensação que senti no momento. Não conseguia parar de olhar, mas meus dedos não se moviam. E foi nesse mesmo momento que um filme passou na minha mente, só que dessa vez eu era a protagonista. Um filme em que eu me via e saberia que não foi desse jeito que eu planejei, que não foi desse jeito que as coisas deveriam fluir, mas fluíram. O filme passava e as lágrimas rolaram, minhas pernas tremiam e eu estava sem ação.
Me lembro como tudo aconteceu, me lembro de cada tombo, me lembro de cada vacilada, mas você não estava lá. Nunca me disseram o motivo, mas você nunca esteve lá. Levante, segui e me ergui, lutei para descobrir toda a verdade. Descobri que foi o amor que nos separou, e descobri que você não era a vilã que imaginei, mas você era a maior heroína de todos os tempos. E hoje, lido com aqueles que nos separaram e os perdoo. Meu caminho foi indo e eu construi um castelo, pois um dia saberia que eu te acharia e você ia desfrutar de tudo aquilo que construí. Cada detalhe me fez crescer e eu acreditava que eu seria igual a você um dia.
Criei coragem e desbloqueei o celular. Nunca senti tão forte a minha pulsação, nem no dia do meu casamento o meu coração estava assim. Sempre tive uma esperança e a esperança sorriu pra mim. Abri a mensagem e dizia o seguinte: "Encontramos a sua mãe.". Quem era o remetente ? Ah, o remetente. O remetente era o meu esposo e meu filhos, que estavam fora do hospital. Aquele poderia ser meus últimos segundos de vida, mas a vida me deu bônus extra para viver. Vivi, mas eu vivi muito e todo o tempo perdido sem ela, eu resgatei para sempre.

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