Acordei e não senti nada de místico. Acordei com aquela preguiça cotidiana e com um mal humor matinal.Afinal, coisas ruins também acontecem com pessoas boas. Desci as escadas que me levavam ao hall de entrada e quando abri a porta, lembrei de anos atrás. Um dia típico de verão onde crianças estavam de férias e iam com a sua família para a praia. Ah ! Como era bons tempos. Lembrei de como era feliz, de como as coisas iam bem, de que não precisava me preocupar com trabalho e nem com as contas.
Como o meu carro estava na oficina mecânica, eu precisava ir de ônibus ao trabalho. Chegava no meu destino e, como de costume, pegava um café forte na cafeteria. Enquanto eu esperava o elevador, senti cheiro de comida da minha mãe. Aquele cheiro bom que faz você sentar na mesa e lamber os beiços. Lembrava de como eu e minhas irmãs brigávamos por quem sentaria na ponta da mesa, pois acreditávamos que esse era lugar de reis e rainhas. Despertei do meu sonho, quando senti alguém tocar no meu ombro. Entrei no elevador e esperei até o 23º andar. Ao entrar na empresa cumprimentei a todos e acho que por um momento havia esquecido quem eu era. Minha secretária me deu bom dia e eu sorri, ela me olhou com uma cara de espanto. Pesquisei pelas portas o meu nome, mas não achei. No final do corredor havia uma sala enorme e estava escrito o meu nome ' Alicie Bucler, Presidente Geral'. Eu era a presidente de uma grande revista e como estava a minha vida?
As páginas de uma revista são completas e cheias de glamour. Se a minha vida fosse uuma revista ela estaria em branco e velha. Entrei na minha sala e admirei cada detalhe. Minha secretária entrou na sala e eu disse bom dia, e mais uma vez ela me olhou com espanto. Foi nesse momento em que eu lembrei que eu nunca falei bom dia para ninguém na empresa. Calculei os meu atos e me sentei na cadeira. Foi nesse momento em que eu voltei a sonhar.

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