sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Apenas presas

Como se hoje em dia importasse
sentir-se bem de verdade
dar um sorriso sem falsidade
um abraço sem apunhalar por detrás.

Como se cada aperto de mão bastasse
cada piscada de olho fosse realidade
uma ligação tivesse preocupação
sem superficialidade e descontentamento.

Parece que todos os dias tomamos nosso próprio veneno
estamos tão perto de animais e tão longe de humanos
vivemos numa selva sem gorila e tigresa
somos apenas presas.

Presas do mais forte do sistema
do mais perspicaz e violento
do Rei da selva
daquele que injeta em nós o veneno.

O veneno da superficialidade
que nos deixa como trouxas
desamparados pela cidade
mas felizes nos holofotes das compras.