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quinta-feira, 30 de abril de 2015

A visita

A morte me visitava 
sempre que tivesse nublado
um dia propício para morrer
mas era melhor manter-se acordado.

A morte conversava comigo
era o meu melhor amigo
pois não via as minhas imperfeições
mas via em mim um ser humano digno.

A morte que adiava as suas visitas
começou a demorar mais
anunciou que só viria uma vez
UMA VEZ PARA NUNCA MAIS.

A morte veio no natal
combinei que sempre a faria rir
assim sua visita não me levaria mais
nunca mais embora daqui.

Foi assim por anos e vastos anos
até que um dia o cinza apareceu
o ar foi sumindo e a vista escureceu.
A minha última palavra foi um adeus.

Quando a morte veio 
já era muito tarde
ela não vinha para me levar
mas ela vinha para rir de verdade.


Esse é o problema da dor. Ela precisa ser sentida.
  GREEN, J.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Apenas presas

Como se hoje em dia importasse
sentir-se bem de verdade
dar um sorriso sem falsidade
um abraço sem apunhalar por detrás.

Como se cada aperto de mão bastasse
cada piscada de olho fosse realidade
uma ligação tivesse preocupação
sem superficialidade e descontentamento.

Parece que todos os dias tomamos nosso próprio veneno
estamos tão perto de animais e tão longe de humanos
vivemos numa selva sem gorila e tigresa
somos apenas presas.

Presas do mais forte do sistema
do mais perspicaz e violento
do Rei da selva
daquele que injeta em nós o veneno.

O veneno da superficialidade
que nos deixa como trouxas
desamparados pela cidade
mas felizes nos holofotes das compras.